Morremos de medo de mudanças. M.o.r.r.e.m.o.s.
Qualquer fração da nossa vida que resolva sair do lugar nos desesperamos.
Limitação humana.
Sob o nosso habitual véu de maya, não conseguimos ver o topo da montanha, perdidos a rodar em sua base, não vemos que não tem saída, só subida, que o presente está no cume e rodamos, rodamos desesperados.
Queremos resultados imediatos em nos lembrar-mos que o imediato é temporal, é ilusório.
Hoje fez sol e a neblina se dissipou, o cume da montanha se apresentou e eu me vi ali, na base com uma mochila cheia de ferramentas para escalar ao meu lado, criadora da própria tempestade.
E Deus manda mais um de seus recadinhos, estou eu viajando de blog em blog perdida na ociosidade pré-sono, quando acho o seguinte trecho:
“Não tenhas medo. Não queiras controlar tudo. Não julgues que a felicidade tem o pequeno tamanho que a tua comodidade te sugere. Há muitas coisas para além desse horizonte estreito. Deixa que a vida te leve a esses lugares que receias pisar. Não pressentes que aí descobrirás muitas coisas e te descobrirás a ti mesma?
Quando os acontecimentos escapam ao teu domínio, e te arrastam para onde não quererias ir, o resultado é sempre surpreendente e enriquecedor. Forçada a desafios inesperados, vês brotar de ti forças e capacidades que desconhecias; cresces por dentro; descobres luzes novas e uma nova dimensão de todas as coisas; aprendes que não estás só. É como se alguém, com pena de ti, te conduzisse a um lugar maravilhoso onde nunca saberias chegar com os teus pequenos projectos.”
Fiquei por um momento paralisada com o que acabara de ler e, logo depois, agradeci e me senti grande, dissipei minhas nuvens e meus medos e tudo se fez certo, perfeito.
As nuvens, o medo são pré-anúncios de um possível horror, é o medo da frustração, é o medo do medo. Mas aí eu fico com mais um recadinho divino através da boca de uma pessoa grademente amada:
“Muitas das coisas que temos medo, nunca vai de fato acontecer”
Mas logo eu com medo, eu com essa minha vida mutante, eu que Deus gosta de presentar com as mudanças mais repentinas e bruscas possíveis, que já aprendi há muito a enfrentar a vida sozinha? eu que fui privada da monotonia certeira da maioria dos seres viventes sobre a terra?
Pois é, mais uma mudança se aproxima e uma grande mudança, mudança na estrutura familiar, mudança geográfica, mudança emocional.
De filha para mulher independente que mora só para mãe de família.
Que venham as provas.
Estou de mudança, definitivamente, oficialmente.
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