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Arquivo para a categoria ‘Gravidez, parto e maternidade’

Amor, meu grande amor.

Quando tudo parece estar dando errado o toque dele me acalma.

Quando eu penso em desistir a luta dele pela vida me encanta e eu penso também em lutar, por ele e por mim.

Quando a vida me injuria eu penso no quanto ainda te farei sorrir.

Somos mais que uma família agora, somos um par.

Somos alma um do outro, espelhos, metades.

E esse amor, que ainda é tão inicial, já é tão grande ao ponto de ser incondicional.

Meu pequeno, meu menino, você é o que me faz acordar.

Sente aqui, moça.

Uma notícia miojo.

Rebeca estava na estação de metrô e assim que entra, metrô lotado.

Automaticamente 3 pessoas levantam e me dão lugar.

Rebeca pensa: Ok, agora não estou ligeiramente grávida e sim gravidíssima!

Rebeca fica se sentindo.

A natação matinal da ervilha.

Da série: falando de assuntos pessoais.

Depois de dias de tensão… ACABOU!

Chego na radioclínica e depois de mais de uma hora de espera “o momento” de ver o melhor filme da minha vida (de péssima qualidade e ator único): minha ervilha!

Médico: Tá nervosa?

Rebeca: Muito, eu só sossego quando ver o coração da minha ervilha batendo.

M: rs… então vamos lá.

R: eu fiquei lendo coisas sobre aborto retido e fiquei com medo.

M: Porque? teve sangramento?

R: não, mas tô com medo…

M: Pois olha ele lá e tá se mexendo muito!

R: e o coração? cadê o coração????

R: Meu Deussssss… tô vendo, eu tô entendo a ultra! Olha a ervilha ali…

M: Tá vendo essa bolinha pulsando? é o coração! Pra quem tava com medo de aborto ela tá bem esperta, tá praticando exercício matinal. Rs. Tá tudo bem.

R: … (lágrimas)

E assim eu descobri que não tenho mais barriga e sim uma piscina olímpica para os exercícios da ervilha e como nada viu! É nadando e eu enjoando! E a ervilha cresceu nesses 3 meses e o médico disse que se continuar se exercitando direitinho na sua piscina e contando com a alimentação da mamãe vai ser um little big baby!

Sabe mãe que anda com a foto do filho na carteira? Pois é, eu entendi, eu ando com a ultra agora!

Depois de ter medo de perder minha ervilha eu prometo:

- Nunca mais fazer cara feia para comer ovo cozido. (Segundo a vovó paterna da ervilha é bom comer um por dia.)

- Não mais brigar e me estressar sem razão pra não ter uma ervilha mimada.

Que dá medo do medo que dá.

Morremos de medo de mudanças. M.o.r.r.e.m.o.s.

Qualquer fração da nossa vida que resolva sair do lugar nos desesperamos.

Limitação humana.

Sob o nosso habitual véu de maya, não conseguimos ver o topo da montanha, perdidos  a rodar em sua base, não vemos que não tem saída, só subida, que o presente está no cume e rodamos, rodamos desesperados.

Queremos resultados imediatos em nos lembrar-mos que o imediato é temporal, é ilusório.

Hoje fez sol e a neblina se dissipou, o cume da montanha se apresentou e eu me vi ali, na base com uma mochila cheia de ferramentas para escalar ao meu lado, criadora da própria tempestade.

E Deus manda mais um de seus recadinhos, estou eu viajando de blog em blog perdida na ociosidade pré-sono, quando acho o seguinte trecho:

“Não tenhas medo. Não queiras controlar tudo. Não julgues que a felicidade tem o pequeno tamanho que a tua comodidade te sugere. Há muitas coisas para além desse horizonte estreito. Deixa que a vida te leve a esses lugares que receias pisar. Não pressentes que aí descobrirás muitas coisas e te descobrirás a ti mesma?

Quando os acontecimentos escapam ao teu domínio, e te arrastam para onde não quererias ir, o resultado é sempre surpreendente e enriquecedor. Forçada a desafios inesperados, vês brotar de ti forças e capacidades que desconhecias; cresces por dentro; descobres luzes novas e uma nova dimensão de todas as coisas; aprendes que não estás só. É como se alguém, com pena de ti, te conduzisse a um lugar maravilhoso onde nunca saberias chegar com os teus pequenos projectos.”

Fiquei por um momento paralisada com o que acabara de ler e, logo depois, agradeci e me senti grande, dissipei minhas nuvens e meus medos e tudo se fez certo, perfeito.

As nuvens, o medo são pré-anúncios de um possível horror, é o medo da frustração, é o medo do medo. Mas aí eu fico com mais um recadinho divino através da boca de uma pessoa grademente amada:

“Muitas das coisas que temos medo, nunca vai de fato acontecer”

Mas logo eu com medo, eu com essa minha vida mutante, eu que Deus gosta de presentar com as mudanças mais repentinas e bruscas possíveis, que já aprendi há muito a enfrentar a vida sozinha? eu que fui privada da monotonia certeira da maioria dos seres viventes sobre a terra?

Pois é, mais uma mudança se aproxima e uma grande mudança, mudança na estrutura familiar, mudança geográfica, mudança emocional.

De filha para mulher independente que mora só para mãe de família.

Que venham as provas.

Estou de mudança, definitivamente, oficialmente.

Um par.

Tudo bem, eu posso até está repetitiva sobre esse asunto, mas eu me encontro ligeiramente grávida (eu entendi essa expressão hoje) meio que 24 horas por dia…

Tanta coisa passa pela cabeça, tanta coisa, na verdade por mais que você compartilhe com as pessoas é um momento exclusivamente seu, as penas e o gozos são só seus.

E tem um sentimento de fundo, algo que não é nem alegria nem tristeza, algo novo que nunca nem sequer inventaram uma palavra para definir e eu, ser humano que sou, tento significar e catalogar sem sucesso, essa “bola” de emoções que fica presa na garganta e é expulsa por um choro descontrolado por qualquer motivo da maior a menor relevância (como um ‘eu te amo’ e como o comercial do banco real).

Esse sentimento deve ser algo que representa todo um novo mundo sendo criado e todo o pavor e a maravilha disso.

Em algum lugar, o espírito que irá animar o corpo do meu filho ou da minha filha está se preparando para encarnar assim como eu estou me preparando para recebê-lo e a cada dia nossos laços se tornam mais fortes, essa é uma decisão que não cabe na linguagem dos homens, assim como isso que estou sentindo hoje, é um medo da minha parte fraca humana e um gozo do meu espírito.

O momento do parto é só o ápice, na verdade, se dá à luz todos os dias, a cada enjoô, a cada dor, a cada choro, a cada devaneio sobre como será os olhos e a boca, a cada plano do que vou querer lhe mostrar, a cada parte de mim que planejo apresentar, a cada parquinho que eu vejo, a cada medo de não conseguir trocar a fralda, a cada imaginação dele(a)mamando, a cada olhada no espelho pra ver e a barriga cresceu, a cada criança que me sorri, a cada nome que escolhemos, a cada lembrança, a cada promessa, a cada segundo… a cada batida dos nossos corações.

Primeira música.

Há um tempo atrás, uma amiga, quando soube que eu estava grávida, me disse que estava com uma música na cabeça há tempos e me enviou a letra dessa música que eu nunca havia escutado e eu resolvi escutá-la pela primeira vez e realmente me emocionei, é linda, é perfeita…

Grávida (Marina Lima)

Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor
Grávida de terra
De um liquidificador
E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor

Eu tô grávida
Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Dar à luz

Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal

Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar a luz

Clichêzinho…

Ficar grávida é…
…ler várias vezes o resultado do exame de sangue para ter certeza.
… se pegar imaginando, por horas a fio, como será os olhos, os cabelos e a pele do filho que vai chegar.
… torcer, e muuuuuuuito, para que ele nasça perfeitinho.
… nunca mais dizer “aí se fosse meu filho” quando ver uma criança fazer birra no corredor do shopping.
… enjoar, enjoar,enjoar.
… ter sono, muito sono.
… orar pra que chegue logo o 4º mês de gestação para nunca mais enjoar.
… aprender e enxergar o sorriso do filho nas manchas cinzentas da ultra – sonografia.
… ler muito sobre gravidez, pular o capitulo do parto ( pois ainda é muito cedo pra se preocupar) e ir direto para os cuidados com o bebê.
… ir ao shopping e desejar apenas coisinhas para o filho.
… torcer para ficar barriguda.
… reparar em todas as grávidas que passam por vc, que antes nunca deu atenção.
… ficar muito esquisita e descobrir a incrível capacidade de sentir todas as emoções na mesma hora, da alegria descontrolada ao mal humor sem fim.
… acordar várias vezes de madrugada pra fazer xixi.
… morrer de vontade de comer alguma coisa diferente todos os dias.
… rir sozinha ao sentir o bebê mexer.
… pedir pra todo mundo por a mão na sua barriga e tentar sentir o bebê mexer.
… enfim, sentir todas essas loucas sensaçôes e ainda assim se sentir sempre ao lado da melhor companhia do mundo!!!

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