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Arquivo para a categoria ‘Sobre o que ouço, vejo, leio’

Porque eu acho que vale a pena.

“Prenez soin de vous”

sophie_calleMais uma vez o término de um relacionamento vem a público, desta vez por ninguém mais, ninguém menos que  Sophie Calle

O mancebo que ela namorava, resolveu terminar o relacionamento por e-mail (mas homem é tudo cachorro mesmo.) e ela ao invés de se abater e ficar na linha deprimida, levantou poeira e não saiu nada à francesa do caso, fez do término (e a carta do mesmo) o tema da sua exposição.

(Eu quero ser Sophie Calle quando crescer.)

Essa é a real manifestação da expressão comum entre os gays: “não fique triste, fique RICA!”

Há quem vá dizer que ela foi recalcada e vingativa, mas eu, particularmente, achei que ela “se superou” e se vingativa pareceu, o moçoilobem que mereceu né? Acabar por e-mail é dose.

104 mulheres, 2 marionetes e 1 papagaia interpretam a carta que Sophie recebeu do seu namorado, o escritor Gregoire Bouille, a perfomance pode ser vista no Brasil em São Paulo (em Recife é que não seria), no Sesc pompéia totalmente de grátis.

“Recebi uma carta de rompimento.
E não soube respondê-la.
Era como se ela não me fosse destinada.
Ela terminava com as seguintes palavras: “Cuide de você”.
Levei essa recomendação ao pé da letra.
Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.
Entendê-la em meu lugar. Responder por mim.
Era uma maneira de ganhar tempo antes de romper.
Uma maneira de cuidar de mim.”
(Sophie Calle)

E-Mail do rompimento.

(Motivo da exposição “cuide de você”)
Sophie

Há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seu último e-mail. Ao mesmo tempo, me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.

Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as “outras”, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas.

Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, de ser simplesmente feliz e “generoso”, se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso. Achei que a escrita seria um remédio, que meu “desassossego” se dissolveria nela para encontrar você.

Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar.

Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo.

Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.

Mas hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.

Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.

Cuide de você.

G

Livre para amar.

Lindo, lindo, lindo… doce e bárbaro!

Tempos modernos.

Analisando a letra de Lulu Santos. (Só porque hoje eu a escutei e fiquei analisando o discurso dele.)

“Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear…”

Isso não é nada utópico, isso é completamente real. A antiga consciência está padecendo, nossa sociedade já está se auto destruindo para que uma nova comece. Algumas pessoas já conseguem enxergar esse novo futuro que está por vir. Várias profecias de várias religiões e várias linhas de pensamentos filosóficas e psicológicas já apontam o que é fato: nossa mente está mudando e,  junto com ela, nosso mundo mudará junto. É a nova consciência chegando, a era de aquários.

“Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão…”

Existe um grande problema com a palavra “prazer”  nas pessoas, prazer remete a pulsão sexual e sexo é a grande repressão dentro de todos nós. Freud já afirmou, lacan já ratificou, Jung exemplificou que o nosso inconsciente nada mais é do que as pulsões sexuais reprimidas desde o nascimento e quando eles falam em pulsões sexuais, eles não estão falando propriamente de sexo não, sexo é apenas a forma socialmente aceita que encontramos em conjunto (sociedade) para dar vazão a essas energias (parte delas), quando eles falam em pulsões sexuais, eles estão verbalizando sobre prazer e qualquer tipo de prazer além das normas e questões morais sociais (o famoso ID). Na nova consciência, prazer não é problema, não se contenta com prazeres mínimos, mas se quer atirar-se na fonte e ver jorrar o gozo que é estar vivo. Do firmamento ao chão. Todo prazer que eu tenho direito. Nós somos fonte de um prazer inexplicável, somos deuses.

“Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão…”

Ciúme ainda é prova de amor, as pessoas têm prazer em brigas por ciúmes, possessividades, inseguranças, medo de perder (como se uma pessoas pudesse simplesmente invadir o espaço de outra pessoa, cada relação é única), tudo isso nada mais é do que medo de viver realmente a força de uma paixão, as pessoas não vivem, elas namoram com o seu ciúme, com a sua possessividade e se impedem de olhar para o outro como uma pessoa e não como um troféu a ser exibido. Eu? eu quero ver o amor numa boa.

“Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não…”

Euvejo o mundo numa boa, amor no ar, aquários, aquários, sinceridade, eu vejo uma nova era de pessoas falando exatamente aquilo que elas querem dizer e não colocando uma frase figurada que simula uma frase do que ela realmente queria expressar. Eu vejo menos desgaste, mais amor, pessoas se permitindo, dizendo sim à vida e não sempre aquele sonoro não…

“Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir…”

Viver é só vida, pra viver só basta viver. Simples né? A única coisa que lhe cabe nesse mundo é o que está acontecendo com voc~e. O que está acontecendo com os outros, cabe aos outros. A vida é bastante efêmera e se a gente não se permitir vivê-la e só vivê-la… pra que nascemos?


Turistas:Show de horrores, xenofobia e polêmica garantida.

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Estava o meu ser na locadora  foxy, situada na cidade universitária, quando um amigo puxa o filme “turistas” do qual eu já tinha ouvido muito falar e nunca tinha tido paciência para locar, mas nesse dia eu resolvi ver de perto todo esse frenési audiovisual.

Logo no começo do filme, nos créditos iniciais, mesclam-se cenas de miséria, peitos e reportagens do tipo: “turistas americanos viajam para país de crimes violentos”. Uh, que novidade. Mas vê, não é só no Brasil não. Não que a guerra do iraque tenha sido nada violento né papa Bush?

Em uma palavra: horror.

Se eu tivesse que elogiar alguma coisa nesse filme, eu elogiaria a agência publicitária contratada pela 2929 entretenimento. Ah e a fotografia também, verdade seja dita, os cenários são deslumbrantes.

Em suma, o filme trata de seis jovens, a maioria americanos, que vêm tirar umas férias no Brasil. No meio do trajeto, o ônibus sofre um acidente e eles decidem ficar numa praia, onde são roubados eacabam nas mãos de traficantes de orgãos.

O filme poderia ser bom, poderia, pretérito do futuro, a mesma coisa no pretérito do passado “não foi” ou no presente mesmo, “não é!”.

O filme mostra a imagem estereotipada do Brasil regada a muita pitú, cerveja, mulatas, sexo e agressividade. Traça o perfil dos brasileiros como macacos enfurecidos e tendencia o espectador a supor, quase que forçadamente, que esse tipo de crime é algo tipicamente brazuca.

Outra palavra: deprimente.

Um outro destaque para o filme é o “sensacional roteiro” (sim, isso é ironia), com piadinhas altamente desqualificadas, os gringos em questão descrevem cidade como Belém, no Pará, jogando farpas sobre as nativas, chamando-as de “desesperadas por um gringo charmoso e pegajoso”. Cenas de sexo e prostituição, dando a idéia de um Brasil-cabaré. Ou como em floripa, onde “a mais feia se parece com a Gisele”, onde em uma fala um  dos atores chama a cidade “dos genes mais seletos” afirmando um preconceito racial e uma idéia ariana sem nenhum fundamento.

“Em um país onde tudo é Permitido, tudo pode acontecer.”.

Esse é o slogan do filme.

Eu sei que parcela dessa culpa imagética vêm de nós mesmos, mas, sinceramente, não podemos permitir que esse filme seja campeão de bilheteria aqui no Brasil, isso sim nos tornariam macacos, macaqueando uma idéia sobre nós.

Mas, se vingança é prato que se come frio, eu digo: um outro esteriótipo do flme é o de “americanos idiotas”, porque, sinceramente, quem, em sã consciência, segue um desconhecido para uma casa no meio do nada em plena mata fechada?

Uma outra palavra: palhaçada.

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Essa imagem é da campanha publicitária do filme: “lugares onde turistas nunca devem ir”.

Mais uma palavra: xenofobia.

Não estou fazendo uma crítica ingênuade que meu país tem lindo coqueiros e nenhuma violência, mas generalização e esculhambação com o país alheio, se me perdoam a palavra, é foda.

Meus queridos John Stockwell e Michael Ross, rasguem seus diplomas ou qualquer certificado de cineasta e vão pra casa.

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“New York Times”: Se a estupidez fosse crime, esses estúpidos do horror barato levariam chicotadas por um bom tempo em Attica (famosa prisão americana instalada em Nova York).

“Entertainment Weekly”: Você acreditaria se eu dissesse que o terrível assassino de “Turistas” é a pessoa mais humana, responsável e de caráter do filme?

“Atlanta Journal-Constitution”: Junte num filme turistas irritados e medrosos, a violenta América do Sul como cenário, jovens sedentos por sexo com muito horror. Isso não é só entretenimento, mas um produto pronto para entrega na sua casa.

“Chicago Tribune”: Estou com medo. Ficarei muito tempo sem abrir uma gaveta de escrivaninha durante minha vida.

“Hollywood Reporter”: Tudo começa a desmoronar até o meio do caminho. Mas antes de tudo há um completo emaranhado, com roteiro confuso e obscuro.

O encantado mundo de Del Toro.

Sobre o labirinto do fauno (sinopse):

 O Labirinto do Fauno conta a história de Ofélia, uma garota que se muda com a mãe grávida para uma espécie de quartel-general de seu padrasto, um capitão do exército espanhol. Com a Guerra Civil já encerrada, o capitão caça os últimos rebeldes pela região, enquanto sonha com o nascimento de seu filho. Enquanto isso, Ofélia descobre um labirinto perto do local que o leva a um fauno, criatura mitológica meio homem, meio bode. O ser revela a Ofélia que ela é, na verdade, a princesa de um reino subterrâneo e, para retornar ao seu palácio, precisa completar três provas.

O filme é intrigantemente lindo. Com cenas muito fortes, o roteirista, produtor e diretor mexicano Guillermo Del Toro (A Espinha do Diabo), mistura o fantástico e a cruel realidade da guerra a partirdo ponto de vista de uma criança. Os dois mundos, o fantástico e o real, são sombrios e crueis, mas para Ofélia o mundo encantado lhe passa menos medo do que aquela cruel realidade.

 Ofélia, interpretada pela atriz Ivana Baquero, é uma personagem forte e determinada que tem uma admiração e dependência forte de sua mãe Carmen (Ariadna Gil) ao ponto de ignorar o mundo externo e se fincar dentro dessa relação onde qualquer coisa ou pessoas que o atrapalha-se seria alvo de sua antipatia, como o capitão Vidal (Sergi López), um homem cruel e tirano.

 O cenário (em parte completamente digitalizado) é um espetáculo para os olhos assim como a interpretação dos personagens (dando destaque também para Mercedes (Maribel Verdú), uma guerrilheira infiltrada na casa do capitão como empregada, uma mulher forte, corajosa e também muito machucada pela vida que cria uma cumplicidade amorosa com Ofélia. Mercedes se faz de mulher submissa para não provocar suspeitas, mas ao ser “pega” demonstra uma mulher forte e determinada o que mexe com o forte orgulho masculino de Vidal.

 As cenas que se passam nesse conto de fadas adulto são frenéticas e detalhadas, cheias de emoção e subjetividade, sutilmente Guilhermo e sua equipe vão envolvendo os telespectadores numa trama que mostra o devastador mundo adulto sob o ponto de vista encantado de uma criança. O roteiro é dinâmico e inteligente,mantendo os “dois mundos” interessantes para quem o vê, os personagens não são esteriotipados e conferem a realidade de serem maus e bons como qualquer ser humano. De serem verdadeiros.

 Cenas que merecem destaque:

 

 A dureza da relação entre Ofélia e o padrasto Capitão Vidal.

 A incrível criatura e a mesa de jantar, maquiagem exemplar e interpretação impar de Doug Jones.

 A cena em que Ofélia vai realizar a primeira prova no encontro com o sapo gigante, coloca um avental para não sujar o vestido que ganhou da sua mãe para o jantar com o capitão e faz uma analogia sutil a Alice (no país das maravilhas) .

 Em suma: recomendadíssimo.

 

Summertime, time, time…

É impressionante como Janis tem uma voz felina.

Eu fico escutando essa música e observando minha gata, os contorcionismos da voz dela sincronizam perfeitamente com as patinhas se espreguiçando e essa música é tristemente linda como um domingo de chuva.

Essa música tá fazendo tanto sentido hoje.

A tradução:

Época De Verão

Época de verão
Criança, a vida é fácil
Os peixes pulando fora d’àgua
E o algodão, Senhor,
O algodão está alto, Senhor, tão alto.
Seu pai é rico
E sua mãe é de tão boa aparência
Ele parece bem agora
Calma, baby, baby, baby, baby, baby,
Não, não, não, não, não chore
Não chore!
Em uma destas manhãs
Você estará crescendo, cantando animado
Você estará alargando as suas asas,
Criança, e alcançar, alcançar o céu,
Senhor, o céu.
Mas ate esta manhã
Querida, nada vai te causando alarde,
Não chore
Chore.

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